Nasci do adultério do meu pai biológico com uma empregada doméstica. Minha chegada ao mundo poderia ter sido um rótulo de vergonha, mas Deus preferiu escrever redenção.
Fui entregue aos pais que me adotariam; antes disso, tentaram me levar à minha avó materna. Ela não me quis: já tinha tido dez filhos e estava cansada, velha. Naquele mesmo dia, por providência de Deus, meus pais adotivos estavam presentes, recém-casados havia nove meses. Minha mãe adotiva era estéril; havia se casado duas vezes e nunca tivera filhos.

A mulher que me carregava chegou a cavalo, no sertão, setenta anos atrás, trazendo-me nos braços com apenas três dias de nascida. Meu pai me olhou e chamou minha mãe pelo apelido que todos usavam: Pretinha, Francisca, nossa Dona Preta. E disse: “Pretinha, vamos criar a bichinha? Tão bonitinha...” Eu creio: foi Deus quem derramou beleza numa recém-nascida de três dias para que o coração do meu pai se agradasse e eles me recebessem.
Eles me adotaram e fizeram o que podiam para me educar: venderam tudo o que tinham no interior, construíram uma casa em Fortaleza e me colocaram em bons colégios. Minha vida sempre foi permeada pelo cuidado de Deus. Sou grata a Ele e aos meus pais, que hoje estão na glória.
É como se o Senhor tivesse esperado os nove meses do casamento deles e dissesse: “Seu Francisco e Dona Francisca, vou lhes confiar uma pessoinha para amar e tornar gente.” Deus me gestou para eles no ventre da mãe biológica. Amém, eu creio nisso. Eu sou um milagre.
Desde cedo experimentei o sobrenatural: aos nove anos tive minha primeira visão aberta e, desde então, sigo vendo a mão de Deus conduzindo meus passos. Por isso oro: Senhor, não me deixes cansar; não me deixes ficar cansada antes de me recolher. Há dias de muitas responsabilidades, em que me levanto às quatro, quatro e meia da manhã; e ainda assim confio: Deus sempre dá um jeito.
Se as dificuldades lhe encontraram — como tantas vezes me encontraram —, saiba: o Senhor abre portas, prepara livramentos e adota corações órfãos. Em Cristo, Ele reescreve a história, transforma rejeição em pertencimento e faz de nós aquilo que um dia meu pai desejou quando me tomou nos braços: gente amada e cuidada. Glória a Deus.
