A nossa fé não é vã. Mas o mundo moderno, com a pressa e a prática do dia a dia, empurra o coração para longe da confiança simples em Cristo. Temos a sensação de que a solução está sempre à mão. Se dói, há uma farmácia na esquina; se há dinheiro, compra-se o alívio. Só que há lugares onde não há farmácia. Há dias em que não há dinheiro. E é nesses desertos que a fé ou morre de sede ou se ajoelha para beber da fonte eterna.
Eu ouvi uma história que chegou a mim como entrevista de podcast, mas virou testemunho nos meus ouvidos. Um psicólogo contava sobre o amigo médico, recém-formado, que foi fazer residência numa cidade do interior. Entre as primeiras pacientes, uma mulher. Ele fez os exames, radiografia, o que estava ao alcance, e a conclusão pesou como chumbo: um câncer que havia tomado o corpo inteiro. Sem chão, ele procurou conselhos. Amigo, professores, gente mais experiente: o veredito era unânime. Terminal. — Seja honesto, disseram. Conte a verdade, por mais que doa.

No dia seguinte, a mulher voltou. Antes que ele dissesse qualquer coisa, ela pediu licença para falar. — Doutor, eu tenho seis filhos. Meu marido me abandonou e foi embora. Eu sou órfã, não tenho parentes. Morrer, para mim, não é opção. Eu preciso do remédio que dá a vida. Aquilo o desconcertou. Que remédio dar quando o mundo inteiro diz não? Sem ter o que prescrever, ele escreveu alguns analgésicos, o que podia oferecer. E pensou, quase envergonhado: semana que vem eu nem estarei mais aqui; quem vier depois que lide com a dor que eu não pude curar.
Anos se passaram. Já estabelecido na profissão, ele teve a chance de voltar à mesma cidade. Foi ao hospital onde começara a residência, curioso sobre o destino daquela mãe e de seus seis pequenos. Perguntou por ela. Disseram: os filhos cresceram, e ela está na cidade. Ele não acreditou. Ao vê-la de perto, pensou que era um fantasma. Ela sorriu: — Doutor! Ele, espantado, a convidou para novos exames. Refizeram tudo. O resultado veio como sol ao meio-dia: ela estava curada.
Ela agradeceu, educada, dizendo que o remédio que ele receitara tinha sido certeiro. Mas, diante da insistência do médico, falou com franqueza: — Doutor, eu não tinha dinheiro para comprar o remédio. Eu piquei a receita e, a cada dia, fazia uma oração e engolia um pedaço do papel, até a receita acabar. Eu precisava viver. Eu tinha que criar meus filhos. Eu não tinha tempo para morrer.
Alguns dirão: força do pensamento positivo. Outros: poder da oração. Chame como quiserem; eu reconheço, nisso, um sinal de que a fé move montanhas quando nada mais se move. Jesus falou do grão de mostarda: tão pequeno, e ainda assim capaz de transplantar impossíveis. Andamos por fé, não por vista; e sem fé é impossível agradar a Deus. Numa cidade escondida do mapa, uma mãe reescreveu a sentença que recebeu, não com recursos, mas com clamor. Ela buscou, como quem busca ar, o remédio que dá a vida.
Eu não romantizo a dor, nem desprezo a medicina. Dou graças a Deus por médicos, exames e farmácias. Mas, antes e depois de qualquer diagnóstico, há um Nome acima de todo nome: Jesus Cristo. Não é mágica; é confiança. É entrega. É o pão de cada dia, a oração sussurrada sobre um pedaço de papel e as lágrimas que Deus conta uma a uma. Nem toda história termina do mesmo jeito, mas o mesmo Deus caminha ao lado de quem crê — no leito do hospital e na cozinha onde o almoço precisa render para seis.
Se a morte e o desespero têm sido seus únicos conselheiros, levante os olhos. Diga a Jesus o que ainda precisa de você aqui — os filhos, a mãe idosa, as pessoas que Ele lhe confiou — e confesse: enquanto Ele me der fôlego, morrer não é opção. Busque-O como quem não tem outra coisa nas mãos. Ainda que o que você segure seja apenas um papel rasgado pela fé, ponha isso diante do Senhor. Ele sabe transformar cinzas em vida.
Seja realista, sim, mas recuse o cinismo que lacra túmulos antes do tempo. Escolha o santo otimismo de quem crê que a graça pode surpreender o prognóstico. Caminhe hoje por fé. O Deus que viu aquela mãe no interior também vê você agora. E quando todas as vozes ao redor disserem que é o fim, responda com o Evangelho nos lábios e os joelhos no chão: em Cristo, ainda não terminou.
