Percebi que estou construindo, dia após dia, um edifício para o outro mundo. Cada escolha é um tijolo invisível, cada pensamento uma viga que sustenta algo que não se mede com fita, mas com eternidade. Eu não sou apenas carne e pressa: sou um ser espiritual, ligado a uma realidade que os olhos não alcançam, mas que o coração reconhece.
Quando olho para trás, para as civilizações antigas e para os povos de hoje, dos indígenas aos aztecas, dos chineses ao mundo moderno, vejo o mesmo fio silencioso atravessando a história: todos apontam para uma divindade. Não é possível que todo mundo esteja errado. Há um sussurro antigo dizendo que existe Alguém acima de nós, e que a vida, cedo ou tarde, se curva diante desse reconhecimento.

Eu, como cristão, e estudando a Bíblia, falo de Jesus. Sei que alguns, ao ouvirem Seu nome, podem pensar: “aí está, demorou, mas chegou”. Ainda assim, é dEle que preciso falar, porque foi nEle que encontrei sentido para esse edifício que estou levantando. Não falo de um conceito, mas de uma Pessoa diante de quem minha alma aprendeu a inclinar-se.
Certa vez ouvi de um padre algo que guardei: se o homem não servir o Deus certo, vai servir o deus errado. Concordo. Ninguém vive neutro. Sempre haverá um senhor sobre o coração, um trono ocupado por alguém — ou por alguma coisa.
Talvez seja uma ideia ou um hábito. Talvez seja a própria vontade, um vício polido e bem-apresentado, ou até o som do metal que embala a fuga interior. De um jeito ou de outro, estamos a serviço de algo. E é aí que a pergunta rasga o silêncio: a que estou me dobrando? O que recebe minha prioridade, minha atenção, minha lealdade?
O edifício que construo não é feito só de intenções nobres; ele cresce com aquilo que realmente escolho. O que coloco como alicerce sustenta — ou racha — tudo o mais. Se minha vida é sagrada porque carrega a marca do eterno, então não posso fingir que tanto faz a quem entrego a chave do meu coração.
Falo de Jesus porque, ao olhar para Ele, encontro o norte que minha alma procura. Não apresento um atalho, nem prometo facilidades. Digo apenas que não existe vácuo no governo da vida: se eu não me prostro diante do Deus vivo, acabarei obedecendo a algum ídolo mudo. Se não for o Senhor, será outra coisa — e essa outra coisa, cedo ou tarde, cobra o seu preço.
Hoje, volto à pergunta que me persegue enquanto assento mais um tijolo no silêncio: a quem estou servindo? Porque servir eu já sirvo; a questão é a quem. Que meu edifício não seja um monumento ao meu próprio ego, mas uma casa aberta para a presença de Deus. Que o nome de Jesus não seja o último recurso, mas o primeiro alicerce. E que, quando tudo for revelado, se veja que minha vida, enfim, se curvou diante do Deus certo.
